Este é um caso jornalístico de grande repercussão e com muitos desdobramentos técnicos e jurídicos. O texto abaixo foi estruturado no padrão de cobertura de grandes portais de notícias criminais e de celebridades, trazendo os dados da operação, os valores envolvidos e a manifestação da defesa.
Operação Vérnix: Deolane Bezerra é presa em SP por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC
Ação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil cumpre mandados contra cúpula de facção criminosa; Justiça determinou bloqueio de mais de R$ 320 milhões e bens de luxo.
SÃO PAULO, SP – A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi presa preventivamente na manhã desta quinta-feira (21 de maio de 2026), em sua residência em um condomínio de luxo em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Vérnix, uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil que investiga um sofisticado esquema de ocultação de bens e lavagem de capitais ligado à cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A influenciadora havia acabado de retornar ao Brasil após uma viagem internacional à Itália. Além de Deolane, outras cinco pessoas são alvos de mandados de prisão preventiva expedidos pela 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau, incluindo novos mandados contra Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, líder da organização que já se encontra detido no sistema federal.
O Esquema: Transportadora de fachada e contas ocultas
De acordo com os relatórios oficiais da investigação do MP-SP, Deolane Bezerra é apontada como parte integrante do núcleo financeiro do grupo. A apuração indica que ela teria utilizado suas contas bancárias e estruturas empresariais para transacionar e pulverizar vultosos valores oriundos de uma transportadora de cargas localizada no interior de São Paulo.
As autoridades apontam que a referida empresa de transportes foi constituída por laranjas a mando da facção especificamente para o “branqueamento de recursos ilícitos” do tráfico de drogas. O Ministério Público sustenta que os repasses identificados nas contas da influenciadora não possuem justificativa lícita — como prestação de serviços advocatícios ou contratos de publicidade —, configurando-se como movimentações incompatíveis com seus rendimentos declarados.
A quebra de sigilo apontou ainda que empresas ligadas a Deolane possuíam características de empresas de fachada, registrando endereços fictícios em imóveis residenciais simples em municípios do interior paulista.
Rombo Milionário e Apreensão de Bens
A pedido das autoridades, a Justiça determinou medidas asfixiantes contra o patrimônio do grupo investigado:
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Bloqueio de Contas: Mais de R$ 327 milhões foram congelados nas contas dos investigados;
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Bloqueio Patrimonial: Interdição de quatro imóveis e apreensão de 17 veículos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, incluindo marcas de alta performance como McLaren e Lamborghini ostentadas nas redes sociais.
O filho de criação de Deolane, o influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, e um contador ligado à família também foram alvos de mandados de busca e apreensão na mesma operação.
Reincidência no radar policial
Esta não é a primeira vez que a advogada enfrenta o sistema prisional. Em setembro de 2024, Deolane e sua mãe chegaram a ficar detidas por cerca de 20 dias na Colônia Penal Feminina de Buíque, em Pernambuco, durante a Operação Integration, que investigava lavagem de dinheiro por meio de plataformas de jogos de azar e apostas online.
Adicionalmente, em abril deste ano, o nome da influenciadora já havia sido citado pela Polícia Federal na Operação Narco Fluxo, que investigou redes de ocultação de ativos associadas ao meio artístico.
O que diz a defesa
Até o fechamento desta reportagem, a assessoria jurídica principal de Deolane Bezerra não havia sido localizada para emitir um posicionamento oficial sobre o novo mandado de prisão.
Por meio das redes sociais, a irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, repudiou publicamente a ação policial:
“Mais uma vez tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil, difícil é provar. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal.”
