O jornalismo nos ensina a contar histórias, mas a vida, às vezes, nos impõe a difícil tarefa de escrever sobre as nossas próprias saudades. Esta sexta-feira partiu deixando um vazio imenso no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la, mas, acima de tudo, na vida daqueles que, como eu, puderam chamá-la de amiga. Aida Cruz — professora, historiadora, filósofa e eterna mestre — despediu-se de nós.
Nossa jornada começou nas salas de aula do curso de Jornalismo da Unitri. Ali, entre teorias e ensinamentos, plantamos a semente de uma história linda, regada a companheirismo, admiração mútua e um carinho que ultrapassou os muros da faculdade. O diploma veio, mas a nossa ligação permaneceu intacta.
Aida era aquela força que impulsionava. Quando o projeto do Imprensa & Mídia ainda dava seus primeiros passos, era o entusiasmo dela que me dava combustível para continuar. Ela torcia por cada conquista minha como se fosse sua. Vibrou de forma contagiante com a minha primeira viagem internacional para Roma. E a réplica em miniatura do Vaticano que trouxe de lá para ela era apenas um símbolo físico de uma gratidão que nunca coube em palavras.
Nossos encontros pós-academia tinham endereço certo: cafés despretensiosos onde o tempo parava para que pudéssemos, simplesmente, filosofar sobre a vida. E que orgulho eu sentia toda vez que ligava a televisão e a via ali, brilhando como fonte jornalística, decifrando com sabedoria e sensibilidade os temas mais complexos da nossa sociedade. Eu assistia com os olhos brilhando, pensando: “Essa é a minha grande Mestre”.
Olhando para trás, percebo que Aida desafiou as definições tradicionais. Ela foi mais que professora, mais que historiadora, mais que filósofa. Foi uma amiga leal e, em muitos momentos, o acolhimento dela teve o peso e o calor de uma mãe.
Dizer adeus nunca é fácil, por isso prefiro o “até logo”. Fica a saudade, mas ficam também as lições, os cafés memoráveis e a certeza de que sua luz continuará guiando os meus passos no jornalismo e na vida.
Obrigado por tudo, minha eterna amiga Aida Cruz. Seu legado já é imortal.

