O cenário jurídico em Minas Gerais deu um passo decisivo no combate à intolerância no esporte. A Justiça aceitou a denúncia contra Nahuel Jeremias Maldonado, torcedor do Boca Juniors, que agora é réu por gestos racistas realizados durante o confronto contra o Cruzeiro, pela Copa Libertadores, em abril de 2026.
A decisão foi proferida pelo juiz José Romualdo Duarte Mendes, da 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte. O réu responderá por racismo qualificado, crime agravado por ter sido praticado em ambiente de ampla repercussão, como um estádio de futebol e transmissões de vídeo.
O Flagrante e a Denúncia
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), na noite de 28 de abril, Maldonado foi flagrado na área de visitantes do Mineirão realizando gestos que simulavam um macaco e alisando os braços em referência pejorativa à cor da pele dos torcedores brasileiros.
Para os promotores, a conduta é uma forma explícita de animalização e discriminação histórica, ferindo a dignidade da coletividade presente no estádio.
Medidas Cautelares
Embora tenha sido preso em flagrante na data do jogo, o torcedor obteve liberdade provisória após audiência de custódia. No entanto, ele deve cumprir restrições rigorosas para permanecer em liberdade:
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Monitoramento: Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.
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Restrição de Acesso: Proibição total de frequentar o estádio Mineirão.
O processo segue sob o número 5044292-65.2026.8.13.0024, sendo um marco importante na aplicação das leis brasileiras contra o racismo em grandes eventos internacionais.
