Especialista da Una explica por que o fenômeno amplia as condições favoráveis ao fogo, mas não substitui a ação humana como principal origem dos incêndios
Com a intensificação do El Niño e o avanço do período seco, as queimadas voltam ao centro das preocupações ambientais, agrícolas e de saúde pública no Brasil, com reflexos também em Minas Gerais. O fenômeno climático pode elevar as temperaturas, reduzir as chuvas e deixar a vegetação mais suscetível à propagação das chamas em algumas regiões. No entanto, cerca de 95% dos incêndios florestais no país têm origem em ações humanas, intencionais ou acidentais, segundo dados do Ibama.
Para Adriano de Almeida Franzon, agrônomo, mestre em Fitotecnia e professor da Una – instituição que integra a Ânima Educação, o maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do Brasil –, embora o clima favoreça a propagação das queimadas, a prevenção continua sendo a principal estratégia para evitar os incêndios. “Apesar de o clima criar condições propícias para o surgimento e a propagação das queimadas, a maioria dos incêndios começa por ação humana. Em períodos de seca, basta uma pequena faísca para dar origem a um incêndio de grandes proporções, porque a vegetação ressecada favorece uma propagação muito rápida”, explica.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação da atmosfera e modifica a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes partes do mundo. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região e a intensidade do evento.
As projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que os impactos variam conforme a região do país. Entre os principais efeitos estão:
Região Norte
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Redução das chuvas;
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Prolongamento da seca;
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Temperaturas mais elevadas;
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Maior risco de incêndios florestais, especialmente na Amazônia.
Região Nordeste
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Menores volumes de chuva em algumas áreas;
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Maior evaporação;
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Redução da umidade da vegetação.
Região Centro-Oeste
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Tendência de temperaturas mais altas;
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Umidade relativa do ar mais baixa, principalmente no fim do inverno e na primavera.
Região Sudeste
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Irregularidade nas chuvas;
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Possibilidade de estiagens;
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Episódios de calor mais frequentes ou prolongados.
Região Sul
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Maior probabilidade de chuvas acima da média;
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Redução do risco de incêndios;
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Aumento da possibilidade de tempestades e inundações.
Franzon ressalta que o Norte, o Centro-Oeste e parte do Nordeste exigem atenção especial por reunirem, em determinados períodos, estiagem, calor e uso do fogo em atividades humanas. No Sul, o aumento das precipitações normalmente associado ao El Niño pode funcionar como um fator de proteção contra a propagação das chamas, embora não elimine completamente a possibilidade de incêndios.
Para Minas Gerais e outras áreas do Sudeste, os efeitos são menos definidos do que em outras regiões. Ainda assim, as projeções indicam maior persistência de massas de ar quente, ondas de calor e possíveis intervalos prolongados sem precipitação, tornando indispensável o acompanhamento das condições climáticas locais durante o período seco.
Clima favorece a propagação das queimadas
O histórico brasileiro mostra como o El Niño pode agravar as condições para a propagação do fogo. Dados do Governo Federal apontam que, em 2015 e 2016, anos de atuação do fenômeno, a área de florestas amazônicas atingida pelo fogo aumentou 20% e 31%, respectivamente. Os números não significam que o El Niño seja responsável pela ignição, mas demonstram como a seca e o calor ampliam o alcance e a gravidade dos incêndios iniciados por atividades humanas.
Outro exemplo ocorreu entre 2023 e 2024. A seca severa iniciada em 2023, associada ao El Niño e ao aquecimento anormal do Atlântico Norte, criou condições críticas. Entre janeiro e abril de 2024, a área queimada ficou 250% acima da média dos 21 anos anteriores na Amazônia e 173% acima da média no Pantanal, segundo dados do INPE, consolidados pelo Governo Federal.
Depois que ocorre a ignição, a combinação entre matéria vegetal ressecada, calor, baixa umidade e vento pode transformar rapidamente um foco localizado em um incêndio de difícil controle. Quanto menor o teor de umidade de folhas, galhos, pastagens e restos vegetais, maior a disponibilidade de material combustível.
“A vegetação seca funciona como combustível, o calor intenso deixa tudo ainda mais inflamável, e os ventos, combinados com o ar seco, fazem o fogo se espalhar rapidamente. Por isso, em época de seca e calor forte, um foco pequeno pode virar uma grande queimada em questão de minutos”, afirma o agrônomo.
Os dados demonstram que, embora o fenômeno climático não seja responsável pelo surgimento dos incêndios, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas potencializam os danos provocados pelos focos iniciados por ações humanas.
Por isso, de acordo com o professor Adriano de Almeida Franzon, prevenir as queimadas é tarefa de todos e só funciona quando cada parte assume sua responsabilidade. “Produtores, poder público e população precisam agir antes que a seca chegue ao período mais crítico. Quando essa preparação acontece com antecedência, o combate se torna mais eficiente e os prejuízos podem ser reduzidos”, conclui.
Sobre a UNA
Com 65 anos de tradição em ensino superior, o Centro Universitário Una integra a Ânima Educação, o maior e o mais inovador ecossistema de ensino de qualidade para o Brasil, oferecendo mais de 200 cursos de graduação e pós-graduação. A instituição preza pela qualidade acadêmica e oferece projetos de extensão universitária que reforçam os pilares de inclusão, acessibilidade e empregabilidade, além de infraestrutura e laboratórios de ponta, corpo docente altamente qualificado e projeto acadêmico diferenciado com uso de metodologias ativas de ensino. A Una também contribui para a democratização do Ensino Superior ao disponibilizar uma oferta de cursos digitais com diversos polos de educação. Saiba mais em: una.br/

