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PF prende MC Ryan SP e MC Poze do Rodo em ação contra esquema bilionário; Chrys Dias é alvo

PF prende MC Ryan SP e MC Poze do Rodo em ação contra esquema bilionário; Chrys Dias é alvo

Operação Narcofluxo desarticula organização criminosa suspeita de movimentar R$ 1,6 bilhão; entenda quem são os alvos e as graves acusações

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Narcofluxo, uma das maiores ofensivas recentes contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro no Brasil. A ação impactou diretamente o mundo do entretenimento ao cumprir mandados de prisão temporária contra os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de ter como alvo central o influenciador e empresário Chrys Dias.

A investigação, que corre em segredo de justiça na 5ª Vara Federal de Santos (SP), aponta que os envolvidos fariam parte de uma rede sofisticada que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão em um curto período. O grupo é acusado de utilizar a imagem pública e a estrutura de empresas ligadas ao ramo da música e das redes sociais para ocultar valores provenientes de atividades ilícitas.

Quem são os MCs e o influenciador envolvidos?

MC Ryan SP é hoje um dos maiores expoentes do funk nacional, conhecido como o “Rei da Revoada”. Com milhões de seguidores e hits que dominam as paradas, ele é uma figura central na indústria fonográfica atual. Segundo a PF, a movimentação financeira de suas empresas e a aquisição de bens de luxo incompatíveis com a renda declarada chamaram a atenção das autoridades.

MC Poze do Rodo é uma das vozes mais influentes do trap e do funk carioca. Com uma trajetória marcada por polêmicas e um sucesso estrondoso nas periferias, o artista já foi alvo de outras investigações no passado. Nesta operação, ele é suspeito de utilizar sua estrutura de shows para facilitar a circulação de capitais sem a devida declaração aos órgãos competentes.

Chrys Dias, por sua vez, é um empresário e influenciador digital paulista que ganhou fama sorteando carros de luxo e promovendo as chamadas “rifas digitais”. Com uma vida de ostentação extrema, Chrys é apontado pela Polícia Federal como um dos operadores financeiros do esquema, utilizando sua plataforma para atrair grandes quantias de dinheiro que seriam, posteriormente, lavadas através de empresas de fachada.

As graves acusações da Polícia Federal

As acusações que pesam sobre o grupo são extensas e graves. A Polícia Federal trabalha com os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional. A suspeita é de que o dinheiro movimentado pelo grupo tenha origem no tráfico de drogas e em jogos de azar ilegais que operam em diversos estados.

O esquema funcionava através da “mescla” de capitais: o dinheiro sujo era inserido na economia lícita através da venda de rifas online, contratos falsos de shows e a compra e venda de veículos importados. Essa técnica visava dificultar o rastreamento por parte do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

A logística da Operação Narcofluxo

Para desarticular essa organização, cerca de 200 agentes federais foram mobilizados. Ao todo, estão sendo cumpridos 84 mandados judiciais, sendo 39 de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. As equipes atuam simultaneamente em nove estados — incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Santa Catarina — além do Distrito Federal.

A Justiça também determinou o sequestro de bens imóveis e o bloqueio de contas bancárias de todos os investigados. Durante as buscas, a PF apreendeu joias, barras de ouro, grandes quantias em dinheiro vivo e uma frota de carros esportivos avaliada em dezenas de milhões de reais.

O papel do show business na lavagem de dinheiro

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a utilização da indústria fonográfica. Segundo o relatório preliminar, o superfaturamento de cachês de shows e a simulação de vendas de ingressos eram métodos eficazes para “limpar” o dinheiro. Os MCs, devido ao alto fluxo de capital que geram naturalmente, serviam como a vitrine perfeita para essas operações.

Além disso, a rede de influenciadores digitais, liderada por Chrys Dias, expandia o alcance do esquema através das redes sociais. A promoção de jogos e sorteios sem autorização do Ministério da Fazenda permitia a entrada de valores vultosos que eram rapidamente pulverizados em contas de “laranjas”.

Próximos passos da investigação

Os detidos serão encaminhados para as sedes da Polícia Federal em seus respectivos estados e deverão prestar depoimento ainda hoje. A prisão temporária tem prazo de cinco dias, podendo ser prorrogada ou convertida em preventiva caso a justiça entenda que os suspeitos oferecem risco à ordem pública ou à continuidade das investigações.

A defesa de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo ainda não se manifestou oficialmente sobre o teor das acusações. Já os advogados de Chrys Dias informaram que estão tomando conhecimento dos autos e que o empresário sempre colaborou com as autoridades em situações anteriores.

A operação continua em andamento e novos nomes de artistas e empresários do ramo musical podem surgir nas próximas horas, à medida que os dispositivos eletrônicos apreendidos forem periciados pela inteligência da Polícia Federal.

Clayton Lima

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