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Justiça da Itália nega extradição de Carla Zambelli e impede retorno ao Brasil

Justiça da Itália nega extradição de Carla Zambelli e impede retorno ao Brasil

Ex-deputada foi condenada no Brasil e era alvo de pedido oficial de extradição feito pelo governo brasileiro à Justiça italiana

Por: João Inácio Vidall

A Justiça da Itália decidiu, nesta sexta-feira (22 de maio de 2026), negar o pedido de extradição da ex-deputada federal brasileira Carla Zambelli. Com isso, ela não será enviada ao Brasil neste momento para cumprir a pena determinada pela Justiça brasileira.


Carla Zambelli ganhou destaque nacional nos últimos anos por sua atuação política e por envolvimento em polêmicas e processos judiciais. Ela foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um caso relacionado à invasão de sistemas do Judiciário e ao uso de documentos falsos em ambiente digital.

A ex-deputada também esteve envolvida em um episódio de grande repercussão após sacar uma arma e perseguir um homem na rua na véspera de uma eleição.

Além disso, foi alvo de investigações e decisões judiciais ligadas à disseminação de desinformação e à publicação de conteúdos considerados falsos ou enganosos nas redes sociais.

O pedido de extradição foi feito oficialmente pelo Estado brasileiro, por meio do Ministério da Justiça, com base em decisões do STF e em ações conduzidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Por que a Itália negou a extradição

Após analisar o caso, a Corte de Cassação de Roma concluiu que não estavam preenchidos todos os requisitos exigidos pela legislação do país para autorizar a extradição. Na Itália, esse tipo de decisão não é automático. Os juízes analisam se o pedido segue as leis italianas, tratados internacionais e garantias de direitos fundamentais.

De acordo com especialistas em Direito Internacional, o tratado de extradição entre Brasil e Itália prevê que o Estado requerido pode recusar o pedido se entender que o processo na origem possui componentes de perseguição política ou se houver disparidades processuais entre os dois ordenamentos jurídicos. Quando essas exigências não são consideradas totalmente atendidas, a extradição é negada.

O que dizem os envolvidos

Em nota oficial emitida logo após o veredito, a banca de defesa de Carla Zambelli celebrou o resultado, classificando-o como uma demonstração de respeito aos direitos fundamentais.

“A Suprema Corte italiana reconheceu as fragilidades técnicas e a falta de garantias jurídicas adequadas no pedido formulado pelo governo brasileiro. A decisão restabelece a justiça e garante a liberdade de nossa cliente frente a um processo claramente inflado por motivações de ordem política”, declararam os advogados.

Por outro lado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil informou, por meio de sua assessoria, que aguarda a notificação oficial do governo italiano para analisar a íntegra do acórdão. O Palácio do Planalto e a Procuradoria-Geral da República (PGR) indicaram que avaliarão se ainda cabe algum tipo de recurso ou medida diplomática alternativa, embora as vias jurídicas ordinárias na Itália tenham se esgotado com este julgamento.

O que muda agora

Com a decisão, Carla Zambelli permanece fora do Brasil, e a ordem de prisão expedida pelas autoridades brasileiras não poderá ser executada em território europeu. Na prática, a decisão da Suprema Corte encerra o processo de extradição na Itália e garante a permanência e a liberdade da ex-deputada no país europeu.

João Inácio Vidall

Formado em Jornalismo pela Faculdade Pitágoras. Também possui formação em Letras e em Publicidade e Propaganda, além de pós-graduação em Jornalismo Político, Psicopedagogia e Ensino Inclusivo, e MBA em Marketing Digital. Atua nas áreas de comunicação e educação, com foco em comunicação e estratégias digitais.

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