Para quem está acompanhando de perto suas apostas antes da Copa do Mundo de 2026, o Grupo C do Brasil é um dos mais intrigantes do torneio. A Seleção é a grande favorita para avançar, mas é importante entender quem está entre ela e as oitavas de final. A Escócia, que faz sua primeira aparição na Copa do Mundo desde 1998, é uma das seleções mais tradicionais e cheias de emoção do grupo. Para o Brasil, ela representa um time que estará desesperado para fazer história. Para a Escócia, isso vai muito além do futebol.
O retorno da Escócia após 28 anos
Foi uma longa espera. A Escócia disputou sua última Copa do Mundo na França em 1998, quando foi sorteada no mesmo grupo do Brasil e perdeu por 2 a 1 na estreia. Aquele resultado, em que John Collins abriu o placar para a Escócia antes que um cabeceio de César Sampaio e um gol contra de Tom Boyd virassem o jogo, continua sendo um dos momentos mais dolorosos da história do futebol escocês. 28 anos depois, eles estão de volta a um grupo com o Brasil, e a partida em Miami, no dia 24 de junho, terá um enorme peso emocional para a Tartan Army.
Steve Clarke está no comando desde 2019 e será o primeiro técnico da Escócia a liderar a seleção em três grandes torneios. A campanha que os trouxe até aqui foi marcada por uma dramática vitória por 4 a 2 sobre a Dinamarca na última partida das eliminatórias, com Scott McTominay marcando um dos gols. Aquela noite resumiu tudo sobre esta seleção da Escócia: corajosa, determinada e capaz de estar à altura do desafio quando é preciso.
Como a Escócia vai jogar
A equipe de Clarke desenvolveu uma identidade tática clara e consistente sob sua gestão. O sistema preferido é o 4-2-3-1, embora ele tenha usado uma defesa com três zagueiros em várias ocasiões, e a abordagem se baseia na disciplina estrutural e na qualidade nas jogadas ensaiadas, em vez de no talento técnico. Andrew Robertson continua sendo a força motriz na lateral esquerda, e a combinação de McTominay no meio-campo com John McGinn e Billy Gilmour ao seu redor dá à Escócia um motor criativo e combativo.
Seus maiores pontos fortes são a organização defensiva e a capacidade de absorver a pressão antes de atacar as equipes no contra-ataque. Contra o Brasil e o Marrocos, eles precisarão dessas qualidades em abundância. A partida de estreia contra o Haiti, em 13 de junho, em Boston, é o objetivo principal: uma vitória ali abriria uma chance potencial de classificação em um grupo que, no papel, deve definir duas vagas para o Brasil e o Marrocos.
A conexão brasileira e o panorama do grupo
O Brasil enfrentou a Escócia quatro vezes na Copa do Mundo, vencendo três e empatando uma. Aquele empate de 1974 na Alemanha Ocidental, quando a Escócia segurou os então atuais campeões em um empate sem gols, continua sendo um dos maiores resultados da história do futebol escocês. O confronto de 1990 em Turim viu o Brasil conquistar uma vitória apertada por 1 a 0 na última partida da fase de grupos.
Quando se trata dos mercados de apostas na Copa do Mundo, a Escócia tem, compreensivelmente, poucas chances de avançar da fase de grupos. Mas este é um formato de torneio que recompensa até mesmo o terceiro colocado, com as oito melhores terceiras colocadas entre todos os 12 grupos também avançando para as oitavas de final. A Escócia, se conseguir vencer o Haiti e arrancar algum ponto do Marrocos, poderia passar sem precisar de nenhum resultado contra o Brasil. Essa é uma ambição realista para uma equipe que já superou as expectativas ao se classificar.
A Escócia não ameaçará o Brasil pela liderança do Grupo C, e esse nunca foi o plano. O que a equipe de Clarke fará é competir, criar problemas em jogadas ensaiadas e na defesa organizada, e proporcionar à Tartan Army uma noite inesquecível em Miami, independentemente do resultado. Após 28 anos de ausência, o simples fato de estar lá já é uma vitória. Passar da fase de grupos seria o capítulo mais extraordinário da história do futebol escocês até hoje.
