A Organização das Nações Unidas (ONU) reforçou, nesta segunda-feira (2 de novembro), a importância de proteger jornalistas, combater a impunidade dos crimes contra profissionais da imprensa e garantir o acesso à informação. O alerta foi feito pelo secretário-geral da entidade, António Guterres, durante as manifestações pelo Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas.
“Em todo o mundo, jornalistas continuam pagando um preço exorbitante por dizerem a verdade”, declarou Guterres ao chamar a atenção para os riscos enfrentados por profissionais que trabalham na apuração e divulgação de informações de interesse público.
A preocupação da ONU também envolve as mudanças tecnológicas e o uso de novos armamentos em regiões de conflito. Em 2026, a campanha da organização destaca como essas ferramentas estão transformando os riscos para jornalistas, especialmente em áreas de guerra, onde ataques com drones estão entre as ameaças à segurança dos profissionais.
189 jornalistas foram assassinados em dois anos
Os números reforçam a gravidade do cenário internacional. Segundo dados das Nações Unidas, 189 jornalistas foram assassinados em todo o mundo durante 2024 e 2025. O número representa o maior registro de mortes em um biênio desde 2014 e 2015, com a maioria dos casos concentrada em zonas de conflito.
Além das mortes, jornalistas também enfrentam ameaças, agressões, perseguições, prisões arbitrárias e tentativas de silenciamento em diferentes países. A violência contra esses profissionais compromete não apenas a liberdade de imprensa, mas também o direito da sociedade de receber informações confiáveis.
Fenaj cobra investigação e punição dos responsáveis
No Brasil, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também defende medidas efetivas para combater a violência contra profissionais da comunicação.
A presidente da entidade, Samira de Castro, destacou a necessidade de cobrar dos governos investigações rigorosas e a responsabilização dos envolvidos em crimes contra jornalistas.
A dirigente ressaltou ainda a importância de identificar não apenas os executores dos assassinatos, mas também os responsáveis por planejar e ordenar os ataques.
A campanha da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) neste ano reforça essa cobrança com perguntas fundamentais: quem ordenou o assassinato, quem planejou e quem é o responsável final? Para a entidade, esses questionamentos precisam ser respondidos para que os crimes não permaneçam impunes.
Data internacional homenageia jornalistas assassinados no Mali
O Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas é celebrado em 2 de novembro. A data foi instituída em homenagem aos jornalistas franceses Ghislaine Dupont e Claude Verlon, da Rádio França Internacional (RFI), assassinados em 2 de novembro de 2013, no Mali, durante uma cobertura jornalística.
A mobilização internacional busca chamar a atenção para a violência contra profissionais da imprensa e cobrar dos governos medidas de prevenção, investigação e punição dos responsáveis.
A proteção aos jornalistas é considerada fundamental para a manutenção da democracia, da liberdade de expressão e do direito à informação. Sem segurança para quem investiga e noticia, toda a sociedade fica mais vulnerável à censura, à desinformação e à falta de transparência.






