PF faz operação contra desembargador Magid Láuar, afastado pelo CNJ após decisão polêmica em caso de estupro de vulnerável

PF faz operação contra desembargador Magid Láuar, afastado pelo CNJ após decisão polêmica em caso de estupro de vulnerável

Investigação apura suspeitas de crimes contra a dignidade sexual e irregularidades em decisões judiciais; magistrado foi afastado cautelarmente das funções.

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (27), uma operação contra o desembargador Magid Nauef Láuar, integrante da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O magistrado também foi afastado do cargo por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A medida ocorre após investigações que apontam possíveis irregularidades em decisões judiciais e suspeitas de delitos contra a dignidade sexual atribuídos ao magistrado durante sua atuação em outras comarcas do estado.

Caso ganhou repercussão nacional

O nome do desembargador passou a ter grande repercussão após julgamento relacionado a um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos em Indianópolis, no Triângulo Mineiro.

Em decisão proferida no dia 11 de fevereiro, o magistrado votou pela absolvição do réu e da mãe da vítima, mencionando a existência de “vínculo afetivo consensual”. O entendimento contrariou posicionamento consolidado dos tribunais superiores sobre o crime de estupro de vulnerável.

A decisão provocou forte reação de juristas, órgãos de controle e da sociedade civil.

Desembargador voltou atrás após recurso

Após recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o próprio desembargador reviu a posição no dia 23 de fevereiro, restabelecendo a condenação determinada em primeira instância e ordenando a prisão dos acusados.

O processo tramita na comarca de Araguari, onde os réus haviam sido condenados a nove anos e quatro meses de prisão.

desembargador Magid Nauef Láuar — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
desembargador Magid Nauef Láuar — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

CNJ aponta novos fatos durante investigação

Segundo a Corregedoria Nacional de Justiça, a apuração inicial analisava indícios de que a decisão absolutória poderia ser “teratológica” — juridicamente classificada como absurda ou incompatível com princípios constitucionais.

Durante a investigação, surgiram relatos que indicam possíveis crimes contra a dignidade sexual atribuídos ao magistrado quando atuou como juiz nas comarcas de Ouro Preto e Betim.

Até o momento, ao menos cinco supostas vítimas foram ouvidas, incluindo uma residente no exterior. Parte dos fatos investigados pode estar prescrita na esfera penal, mas há registros considerados recentes, o que motivou a continuidade das apurações.

Afastamento é cautelar, diz CNJ

O CNJ destacou que o afastamento é uma medida cautelar para garantir a lisura das investigações e não representa juízo antecipado de culpa.

“O objetivo é preservar a credibilidade do Poder Judiciário e assegurar que a apuração transcorra sem interferências”, informou o órgão em nota oficial.

O que diz a legislação brasileira

O Código Penal estabelece que a prática de conjunção carnal ou qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos configura estupro de vulnerável, independentemente de consentimento.

O Superior Tribunal de Justiça já consolidou entendimento de que eventual relação afetiva, experiência sexual anterior ou autorização familiar não afastam a caracterização do crime.

Relembre o caso

De acordo com a denúncia, oferecida em abril de 2024, a menina passou a morar com o acusado com autorização da mãe e deixou de frequentar a escola. O homem foi preso em flagrante e admitiu manter relações com a vítima.

A mãe também foi condenada por omissão, por ter ciência dos fatos e permitido a convivência.


 

Aldair dos Santos

Formado em Comunicação Empresarial pela Faculdade Pitágoras e Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo (UNITRI), em Uberlândia, o jornalista Aldair dos Santos atua há mais de 20 anos na área de Comunicação e Mídias Digitais.

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