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Personalização do treinamento marca tendências em capacitação para 2026

Personalização do treinamento marca tendências em capacitação para 2026

Falta de qualificação é barreira para 63% dos empregadores; empresas apostam em IA e indicadores para reverter lacuna de habilidades

Foto: Freepik

Um total de 17% das empresas brasileiras utiliza Inteligência Artificial (IA) para criar conteúdos personalizados de treinamento. O dado consta na “20ª edição da Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil”, realizada pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), Integração e Carvalho & Mello em 2025, com 443 empresas respondentes. Outros 8% empregam chatbots como assistentes de aprendizado.

A falta de qualificação profissional é apontada como a principal barreira para a modernização das companhias, segundo o relatório Future of Jobs Report 2025. A pesquisa, conduzida pelo World Economic Forum (WEF), ouviu mais de mil empregadores que representam 14 milhões de trabalhadores em 22 setores e 55 economias.

No Brasil, o investimento médio por trabalhador chegou a R$ 1.222 em 2024, segundo a ABTD. O crescimento foi de 14% em relação a 2023. Os funcionários recebem, em média, 24 horas anuais de treinamento, volume superior às 21 horas registradas nos Estados Unidos. 

Paralelamente ao investimento corporativo, cursos online gratuitos complementam estratégias de capacitação.

Empresas brasileiras estruturam indicadores de desempenho

A maioria das empresas brasileiras (89%) estabelece indicadores de desempenho em treinamento e desenvolvimento, conforme a pesquisa da ABTD. O crescimento foi de 24 pontos percentuais em 2024 na comparação com o ano anterior. 

Entre as métricas priorizadas, 35% das empresas focam no cumprimento do plano de treinamento; 29% na aplicabilidade percebida pelo gestor; e 15% investem em people analytics para mensurar retorno sobre investimento (ROI).

Os dados indicam estabilidade e adesão aos processos internos: a taxa de faltas em treinamentos é de 13%, e 96% das empresas têm programas de integração estruturados. O recrutamento interno existe em 88% delas. Quanto ao orçamento, há um equilíbrio técnico: 51% do investimento vai para lideranças e 49% para não-líderes.

Formato remoto cresce no Brasil

A distribuição entre treinamento presencial e remoto no Brasil chegou a 47% e 45%, segundo a ABTD. No período pré-pandemia de Covid-19, antes de 2020, a proporção era de 70% presencial e 30% digital. 

Áreas técnicas oferecem alternativas como cursos de enfermagem online gratuito para trabalhadores em busca de qualificação complementar. Uma análise divulgada pela consultoria McKinsey classifica o microlearning e a aprendizagem móvel como metodologias essenciais.

Conteúdos curtos elevam a taxa de conclusão em 20%. A tendência dialoga com a forma como o público consome informação: de maneira contínua e multiplataforma, alternando entre vídeos, podcasts e materiais interativos.

Ainda segundo a McKinsey, empresas com programas de capacitação personalizados têm 62% mais chances de melhorar o desempenho de talentos a médio prazo, engajando o colaborador com conteúdo relevante e ritmo adequado.

Plataformas de aprendizagem devem alcançar US$ 82 bi 

Projeções da GlobalGrowth Insights indicam que o mercado de sistemas de gestão de aprendizagem saltará de US$ 23,35 bilhões em 2024 para US$ 82 bilhões em 2032. O crescimento é impulsionado pela transição de sistemas reativos para modelos preditivos de lacunas de habilidades.

Já uma pesquisa da Gartner com 330 líderes, realizada em 2024, revela que 85% preveem aumento drástico na necessidade de competências ligadas à IA e tendências digitais. O WEF reforça que 86% dos empregadores esperam que a IA e o Big Data transformem seus negócios até 2030.

A adoção prática, porém, tem uma defasagem. O Workplace Learning Report 2025 do LinkedIn Learning, que consultou 937 especialistas em Treinamento e Desenvolvimento (T&D), mostra que cerca de 80% dos executivos globais veem a IA generativa como uma ferramenta para impulsionar capacidades, mas apenas 24% das organizações têm programas estruturados para colocar esse trabalho em prática.

Soft skills têm relevância parecida ao domínio de IA, aponta WEF

No mapeamento de competências do WEF, o pensamento analítico lidera pelo terceiro ano. Entretanto, habilidades humanas como criatividade, resiliência e flexibilidade agora têm peso equivalente às técnicas de IA e Big Data, tendência confirmada pelo LinkedIn em 2025.

O WEF projeta a criação de 78 milhões de empregos até 2030. Também prevê que 22% dos trabalhos sofrerão disrupção, e 39% das habilidades mudarão.

O Relatório Global eLearning Market da Mordor Intelligence, divulgado em 2025, projeta crescimento anual de 18% no setor de eLearning até 2028, impulsionado por tecnologia, personalização e comunidade, com foco na formação prática e direta.

Tiago Silva Candido

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