Conversas obtidas pela Polícia Federal mostram que ministro e banqueiro dialogaram por mensagens de visualização única no dia em que dono do Master foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025.
A revelação de que o banqueiro Daniel Vorcaro trocou mensagens com o ministro Alexandre de Moraes no dia de sua prisão gerou uma onda de indignação no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição ao governo Lula subiram o tom, pedindo não apenas o impeachment, mas a detenção imediata do magistrado.
“No ‘direito xandônico’, apagar mensagem é ocultar provas. Só não vale para Xandão”, disparou o jornalista Andreazza, resumindo o sentimento da ala crítica ao STF.
⚖️ Reações da Oposição: “Situação Insustentável”
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos mais enfáticos: “Por muito menos o Alexandre de Moraes já teria prendido o Alexandre de Moraes. Esse cara precisa sair do STF. Não é impeachment, não, ele precisa ir direto para a prisão”.
Já o líder da minoria, Gustavo Gayer (PL-GO), chamou a atenção para um detalhe intrigante nas investigações: o contrato de R$ 129 milhões entre o banco de Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. “O mais impressionante é que Vorcaro pagava R$ 3,6 milhões por mês para a esposa do Moraes, mas não trocou mensagem com ela nem uma vez”, questionou Gayer, sugerindo que o contato era direto com o magistrado.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) relembrou o rigor de Moraes com réus do 8 de janeiro, citando o caso de Débora Rodrigues (a “Débora do Batom”), condenada a 14 anos: “Como fica quem manda mensagem de visualização única para responder se ‘bloqueou’ algo ou não a um criminoso?”.
🤝 Convergência no Governo: Código de Ética e Transparência
Surpreendentemente, vozes da base governista e da esquerda também cobraram providências, embora com foco na institucionalidade:
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Chico Alencar (PSOL-RJ): Defendeu a criação urgente de um Código de Ética do STF. “É importante vedar peremptoriamente relações de juízes com interessados em causas em andamento”.
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Tarcísio Motta (PSOL-RJ): Afirmou que “nenhuma autoridade está acima do escrutínio democrático” e pediu transparência total nas apurações.
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Heloísa Helena (Rede-RJ): Pressiona pela instalação da CPI do Banco Master, classificando como “repugnante” o protecionismo em torno da instituição.
🔍 O Cenário das CPIs e Investigações
Atualmente, o Congresso lida com duas frentes de investigação protocoladas:
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Origem governista: Autoria de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), na Câmara.
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Origem da oposição: Autoria de Carlos Jordy (PL-RJ), no Congresso.
Apesar de o “Placar do Estadão” indicar que a maioria dos parlamentares defende a abertura das comissões, ainda há forte resistência por parte da cúpula do Legislativo em instalar os colegiados.
