
O que é o sonho para a ciência?
Você provavelmente tem várias ideias sobre o que significa sonhar na sua vida, não é mesmo? Por exemplo, existem muitas pessoas que acreditam que os sonhos são mensagens do futuro. Já outros, que são visões de um mundo alternativo. Há quem acredite que são mensagens religiosas. Mas o que é o sonho para a Ciência? O que os cientistas já conseguiram determinar sobre os sonhos?
É importante compreender que a Ciência do Sono, apesar de muito avançada, é capaz de estabelecer padrões e compreender funcionamentos. No entanto, ainda há muito que não sabemos sobre o nosso cérebro, especialmente seu funcionamento inconsciente. Por isso, podemos descrever o que é um sonho com relativa tranquilidade, mas ainda há muito sobre a sua gênese que não sabemos.
Quer aprender o que é o sonho para a ciência no momento? Então veja a seguir 3 visões que não são totalmente incongruentes entre si!
O que é o sonho para a Ciência?: 3 visões
Como dito, existem versões sobre o que é um sonho na ciência. Elas não são totalmente contraditórias e nem complementares. Dá para vê-las trabalhando juntas, mas também em separado. Ainda existem estudos sendo feitos para tentar chegar mais próximo da verdade.
Veja abaixo as 3 principais visões sobre o assunto!
1. Neurociência
A Neurociência é quem chega mais perto de descrever o que é um sonho, mas um pouco mais longe de propor o que ele significa ou qual a sua função em nosso corpo, tanto durante a noite, quanto no longo prazo.
O que a Neurociência diz é que o sonho acontece no estágio REM (Movimentos Rápidos dos Olhos), que corresponde a 25% do nosso ciclo do sono, vindo após a última fase do estágio NREM (Não-REM).
O ciclo do sono funciona da seguinte forma: são dois estágios, o NREM (75% do sono) e o REM. O NREM é basicamente três fases progressivas em que a pessoa vai entrando em um sono cada vez mais profundo. Eventualmente, ela passa para o REM, que é caracterizado por:
● relaxamento muito grande do corpo;
● alta atividade cerebral, quase igual a quando estamos acordados (daí os sonhos);
● movimentos rápidos dos olhos.
Segundo a Neurociência, todos nós sonhamos várias vezes durante a noite e os sonhos duram entre 20 a 30 minutos (mesmo que pareçam horas, dias ou anos para a nossa percepção). Isso mesmo: você também sonha várias vezes por noite. Só não lembra porque, normalmente, nós esquecemos os sonhos mais ou menos 10 minutos depois de acordarmos (e isso inclui qualquer momento em que recuperamos a consciência durante a noite, mesmo que momentaneamente).
A razão para o sonho, no entanto, ainda é um mistério para a Neurociência. A principal teoria é que o sonho é um processo de consolidação da nossa memória e dos eventos do dia. Ou seja, é como o cérebro “processa” o que aconteceu. Os sonhos são meio malucos porque eles são gerenciados pelo nosso inconsciente, que não segue as mesmas regras do nosso consciente.
Por exemplo, imagine uma bola de futebol. Você deve ter imaginado uma bola branca com partes pretas (que é o símbolo mais conhecido) ou uma bola específica na sua vida. No entanto, uma “bola de futebol” para o inconsciente pode ser a mesma coisa que uma “bola de esportes”. E “esportes” pode ser a mesma coisa que “basquete”. Então uma “bola de futebol” pode ser processada pelo inconsciente como uma “bola de basquete”. E vai mais longe: “bola” pode ser interpretado como “instrumento”. E “instrumento” pode ser, digamos, uma “ferramenta”. E uma “ferramenta” pode ser um “martelo”. Portanto, seu sonho pode ter um martelo batendo em uma bola de basquete porque o inconsciente queria processar uma bola de futebol.
Parece loucura, mas é apenas o conceito de encadeamento de significados. Um mesmo conceito pode estar conectado a várias coisas. O inconsciente simplesmente pega aquele mais próximo no momento. É por isso que, segundo a Neurociência, o sonho é meio maluco.
2. Freud
Para Freud, o pai da Psicanálise, o sonho é manifestação de desejo e vem do ID (que é, basicamente, a força motriz do desejo em busca de gratificação imediata sem parar). Dessa forma, todos os símbolos do sonho representam algum nível de desejo.
Por exemplo, o que significa sonhar com cobra? Algum nível de desejo há ali. Talvez a cobra signifique “perigo” e “perigo” signifique “proteção dos pais”. Nesse caso, sonhar com cobra seria desejar a proteção dos pais.
3. Jung
Já Jung, outro importantíssimo teórico da Psicologia, discorda de Freud. Para ele, os sonhos são mecanismos de compensação do inconsciente para poder expressar coisas que não saem no Consciente.
Por exemplo, suponha que uma pessoa sinta muita raiva durante o dia, mas não possa expressá-la por causa das represálias sociais: perder o emprego, perder relações, afastar as pessoas, se envolver com violência. Essa raiva fica reprimida, mas não vai embora. O Inconsciente, então, pode expressá-la no sonho, dando vazão ao sentimento.
Os símbolos, no entanto, teriam significados que só fazem sentido para ele. Por exemplo, sonhar que está chutando uma bola pode ser uma compensação por agredir alguma coisa.
Como deu para ver, as três visões citadas sobre “o que é o sonho para a ciência” não são necessariamente incongruentes entre si. Elas podem trabalhar em conjunto e dialogar entre si, inclusive complementando-se em vários níveis. No entanto, estudos mais avançados serão capazes de pintar uma imagem um pouco mais detalhada sobre os sonhos e seu funcionamento.
Gostou do conteúdo? Então comente abaixo com a sua opinião!