Terça-feira, 27 de outubro de 2026
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Miopia em crianças aumenta durante a pandemia

Estudo mostra que falta de exposição ao ar livre e excesso de telas levaram a um aumento do grau da doença ocular em crianças de 6 a 8 anos. Oftalmologista dá dicas para amenizar danos Aulas online, muitos jogos eletrônicos e poucas brincadeiras.

Miopia em crianças aumenta durante a pandemia

Estudo mostra que falta de exposição ao ar livre e excesso de telas levaram a um aumento do grau da doença ocular em crianças de 6 a 8 anos. Oftalmologista dá dicas para amenizar danos

Aulas online, muitos jogos eletrônicos e poucas brincadeiras. Essa tem sido a realidade de muitas crianças desde o início da pandemia, há um ano. Segundo um levantamento da SuperAwesome, os jovens aumentaram em 50% o tempo gasto em frente às telas, uma mudança de hábito muito prejudicial para a saúde dos olhos.

“A visão de crianças entre 6 e 8 anos é muito sensível às mudanças ambientais, pois trata-se de um período importante para o desenvolvimento da miopia”, explica Rodrigo Fernandes, oftalmologista pediátrico de Uberlândia. “Nos últimos anos, a miopia já vem sido considerada um problema de saúde relevante no mundo, porque houve uma diminuição de atividades ao ar livre. Isso é fator de risco para o desenvolvimento da doença”, acrescenta.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2050, metade da população será míope.

Pandemia agrava progressão da miopia
Pandemia agrava progressão da miopia

Um estudo realizado com 123.535 crianças de 6 a 13 anos na China, e publicado recentemente no jornal científico JAMA Ophthalmology, mostrou que o confinamento imposto pela pandemia do Covid-19 está associado a uma mudança significativa no grau de miopia em crianças mais novas, entre 6 e 8 anos. Elas foram examinadas ao longo de 6 anos (2015 a 2020) e a prevalência de miopia aumentou até 3 vezes em 2020 em comparação com os cinco anos anteriores.

“Os dados comprovam o que temos visto no consultório e estão relacionados também ao esforço visual a que essas crianças têm sido expostas com o uso de dispositivos eletrônicos”, alerta Rodrigo Fernandes.

O oftalmologista ressalta que a miopia, que se caracteriza pela dificuldade de enxergar de longe, não pode ser revertida, mas é possível retardar a progressão. “O mais preocupante é que a miopia precoce aumenta a chance de alta miopia (mais de 6 graus) na idade adulta”.

Os principais sinais de miopia em crianças são: cerrar os olhos para enxergar algo distante e chegar muito perto da TV ou celular. Se um dos pais tem miopia, a atenção deve ser redobrada, pois a doença é hereditária.

Cuidados e dicas

“A dica mais óbvia é diminuir o uso de eletrônicos e aumentar a exposição ao ar livre, mas sabemos que isso é difícil acontecer neste momento”, avalia o médico. Algumas ações podem ajudar a descansar os olhos do esforço e evitar danos mais graves, como a miopia:

1- Deixe o ambiente o mais claro possível.

2- Diminua o brilho das telas dos dispositivos.

3- A cada 20 minutos (ou, no máximo, a cada 50 minutos), oriente a criança a desviar a visão das telas e olhe para o horizonte, o mais longe possível, por 20 segundos.

4- Dê preferência para telas maiores e mais distantes (TV em vez de celular, por exemplo).

5- Lembre a criança de piscar enquanto está em frente às telas.

6- Controle a ingestão de açúcar, porque a produção elevada de insulina favorece o crescimento do eixo óptico.

7- Corte os eletrônicos entre 1 e 2 horas antes de dormir.

Tempo de tela recomendado

Abaixo de 2 anos: não deveriam ficar expostas às telas sem necessidade, mesmo passivamente.

Entre 2 e 5 anos: no máximo, 1 hora por dia.

Entre 5 e 11 anos: 2 horas por dia.

Acima de 11 anos: 3 horas por dia.

Sobre Rodrigo Fernandes

Rodrigo Fernandes é médico oftalmologista na Olhar+ Clínica de Olhos, que fica no Uberlândia Medical Center. Ele fez residência médica na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Limeira – SP, é especialista em estrabismo e visão subnormal pela Universidade de Campinas (Unicamp). Além do Fellowship em Retina Clínica no Hospital Evangélico em Belo Horizonte – MG, atuou por 4 anos como preceptor em oftalmologia pediátrica, estrabismo e catarata no Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia – GO, e é reconhecido pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia – CBO. 

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