Mocidade Unida da Mooca abre primeira noite de desfiles em SP exaltando Tereza de Benguela e a luta das mulheres negras por direitos

Mocidade Unida da Mooca abre primeira noite de desfiles em SP exaltando Tereza de Benguela e a luta das mulheres negras por direitos

Com enredo focado na ancestralidade, agremiação da Zona Leste resgata o legado da Rainha do Pantanal para simbolizar a resistência histórica feminina negra.

A abertura do Grupo Especial de São Paulo em 2026 foi marcada por um resgate histórico necessário. Mocidade Unida da Mooca abre primeira noite de desfiles em SP exaltando Tereza de Benguela e a luta das mulheres negras por direitos, apresentando um espetáculo que uniu a mística iorubá do culto Gèlèdés à realidade política brasileira. Em uma noite de superação após o atraso pela chuva, a “MUM” provou que o samba é a maior plataforma de visibilidade para as heroínas negras do país.

O fio condutor da apresentação foi a força das mulheres que, ao longo dos séculos, lideraram quilombos e movimentos sociais. O grande destaque do setor histórico foi a homenagem a Tereza de Benguela, a “Rainha do Pantanal”. Liderança máxima do Quilombo do Quariterê no século XVIII, Tereza foi representada na avenida como o símbolo da autogestão e da resistência armada e política contra a escravidão, servindo de espelho para as lutas contemporâneas.

Tereza de Benguela e o Manifesto de Geledés

A escolha de citar Tereza de Benguela não foi por acaso. A escola utilizou a figura da líder quilombola para conectar o passado de luta à fundação do Instituto Geledés, homenageado central do enredo. O desfile mostrou que a estratégia de sobrevivência e liberdade criada por Tereza em Mato Grosso é a mesma que sustenta as mulheres negras hoje na busca por espaços no parlamento e na educação.

Pontos altos da homenagem:

  • Ala das Guerreiras: Uma ala inteira dedicada às mulheres de Quariterê, com figurinos que misturavam elementos de guerra e realeza africana, simbolizando o exército liderado por Tereza.

  • Carro da Resistência: Uma alegoria imponente que trazia a representação de um quilombo moderno, onde o legado de Tereza de Benguela se transformava em livros e diplomas, reforçando a luta por direitos e liberdade através do conhecimento.

Desempenho Técnico e Emoção

Apesar da pista pesada, a Mocidade Unida da Mooca desfilou com uma leveza impressionante. O intérprete oficial conduziu o samba com maestria, enfatizando os versos que pediam justiça social e reconhecimento ancestral. A comunidade da Mooca, conhecida por sua garra, cantou a plenos pulmões o nome de Tereza e das “Grandes Mães”, criando uma atmosfera de quilombo urbano em pleno Anhembi.

O impacto visual das cores — muito dourado, palha e tons de terra — reforçou a ideia de uma riqueza que não vem do ouro, mas da terra e da ancestralidade. Ao finalizar o desfile, a escola deixou uma mensagem clara: a liberdade celebrada na avenida só é possível porque mulheres como Tereza de Benguela abriram o caminho com sangue e estratégia séculos atrás.

A cobertura do Imprensa e Mídia destaca que a MUM entra na disputa do título não apenas pela estética, mas pelo “conteúdo nota dez” que emocionou jurados e público, reafirmando que o Carnaval de São Paulo é um espaço de reparação histórica.

Clayton Lima

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