Abertura do 2º dia do Grupo Especial foi marcada por uma simbiose entre o rock e o samba; escola de Padre Miguel levou o “rockcarnaval” para a Avenida.
RIO DE JANEIRO – O rugido do leão de Nilópolis (Beija-Flor) e o brilho da Viradouro ainda estão por vir, mas a abertura da segunda noite de desfiles do Grupo Especial, nesta segunda-feira (16), já garantiu seu lugar na história. A Mocidade Independente de Padre Miguel entrou na Avenida com o “pé na porta”, transformando a Sapucaí em um imenso palco de rock para homenagear a eterna Rita Lee.
Com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, assinado pelo carnavalesco Renato Lage, a Estrela Guia de Padre Miguel conseguiu o que parecia impossível: unir a batida pesada da bateria “Não Existe Mais Quente” com a psicodelia e a irreverência da Rainha do Rock.
Destaques que levantaram a arquibancada
O desfile foi uma sucessão de momentos icônicos que fizeram o público cantar o samba-enredo — que já era um dos favoritos do ano — a plenos pulmões.
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Mel Lisboa como Rita Lee: A atriz, que interpreta a cantora nos teatros, foi o grande destaque do abre-alas. De peruca vermelha e óculos de lentes coloridas, Mel personificou a “Ovelha Negra” com uma performance que emocionou os setores da Sapucaí.
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Comissão de Frente “Doce Vampiro”: Sob o comando de Marcelo Misailidis, a comissão trouxe figuras noturnas e mutantes que faziam trocas coreográficas ágeis, mesclando passos de rock com o bailado do samba.
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Roberto de Carvalho na Avenida: O músico e eterno parceiro de Rita, Roberto de Carvalho, veio como destaque em um dos carros, trazendo a carga emocional máxima para o desfile e sendo ovacionado pelo público.
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Lilia Cabral: A atriz foi a “cereja do bolo” no último carro da escola, representando a fase mais madura e a imortalidade artística de Rita Lee.
O Conjunto Alegórico: Psicodelia em Verde e Branco
Renato Lage, conhecido por seu estilo futurista, não economizou na tecnologia e no acabamento. Os carros alegóricos foram verdadeiros manifestos de liberdade:
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Carro Abre-alas: Uma explosão de cores roxas e douradas, com borboletas e cogumelos gigantes, representando o lado místico e a “Santa Rita de Sampa”.
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A Censura e a Liberdade: Um dos carros mais comentados retratou a resistência de Rita durante a ditadura militar, com elementos que remetiam à perseguição e à língua afiada da cantora contra o “sistema careta”.
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Bailes de Carnaval: O último carro recriou os grandes bailes de gala que Rita frequentava e cantava, unindo o luxo tradicional da Mocidade com a modernidade da homenageada.
Análise do Desfile
A Mocidade desfilou leve. O samba-enredo, que traz trechos de hits como “Lança Perfume” e “Agora só falta você”, funcionou como um motor para a evolução da escola, que não apresentou buracos e manteve uma harmonia impecável.
Se a disputa pelo título é decidida nos detalhes, a Mocidade saiu na frente no quesito Enredo e Harmonia. O “rockcarnaval” de Padre Miguel provou que a liberdade é, de fato, a alma do Carnaval.
