
Marcelo Souza, especialista em economia circular, alerta sobre recordes preocupantes, os sinais de alertas e urgências climáticas.
Mas esses não são recordes que trazem prestigio para as nações, empresas e mesmo a sociedade. São recordes preocupantes e que geram um sinal de alerta e urgência climática. Como afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, o planeta chegou a era da ‘fervura global’, ultrapassando o aquecimento global. Estamos atingindo o ponto de não retorno climático, o que significa, que mesmo com mudanças significativas na forma de produção e consumo, há grandes chances de não ser mais possível reverter as mudanças climáticas drásticas causadas pela ação humana.
Sobre os recordes, somente esse ano já batemos a meta do mês mais quente registrado na história com julho superando a marca de 1,5ºC acima da era pré-industrial fazendo com que o Hemisfério Norte sofresse com o ápice do calor. Os piores incêndios da história foram registrados na Grécia e no Canadá. A China se prepara para a chegada do super tufão Doksuri. Nos oceanos, a temperatura aumenta cada dia mais, com o Mar da Florida por exemplo marcando 37,8º. Enchentes fatais acontecendo em países como Coreia do Sul, Japão, China, Índia, Paquistão e EUA. Geleiras da Antártica atingindo o nível mais baixo do ano. Além de todos esses recordes, temos a previsão de que o derretimento da camada de gelo da Groenlândia pode aumentar o nível do mar em 7 metros. Apocalipse? Não, aquecimento global.
Além de todos os ‘recordes’ batidos citados, temos um marco muito importante: o dia de sobrecarga da Terra. Neste ano, essa data foi dia 02/08/2023. Cada ano o dia de sobrecarga da Terra está acontecendo mais cedo, o que indica um consumo excessivo de recursos de maneira insustentável. Nos últimos anos observamos uma ‘estagnação’ nesse número. No ano de 2020 tivemos uma melhora devido ao Lockdown durante a COVID-19, e este ano, o dia de sobrecarga ocorreu cinco dias mais tarde se comparado ao ano passado. Porém, de fato, podemos considerar apenas um dia de diferença, pois grande parte da melhora dessa data se deve ao fato de uma qualidade mais apurada dos dados utilizados para o cálculo.
O dia de sobrecarga da Terra é uma data anual simbólica que representa o momento do ano em que a demanda da humanidade por recursos e serviços ecológicos excedeu o que a Terra pode regenerar dentro daquele ano. O calculo é feito pelo Global Footprint Network, e o intuito é evidenciar que nós estamos consumindo os recursos mais rápido do que eles podem ser regenerados. Na data marcada como o dia de sobrecarga da Terra, é a data em que a humanidade começa a operar em déficit ecológico. Isso quer dizer que pelo resto do ano nós estamos esgotando os recursos naturais e acumulando dióxido de carbono na atmosfera em uma taxa que não é sustentável.
Ter consciência dessa data, é entender o significado por trás dela. A data de sobrecarga da Terra evidencia a urgência em ‘atacar’ o consumo excessivo, reduzir as emissões de carbono, e promover práticas de economia circular e sustentabilidade. A única maneira de retardar o dia de sobrecarga da Terra e impedir que a mesma continue a aquecer (gerando cada vez mais eventos climáticos mais catastróficos) é reduzir as emissões globais de gás carbônico a zero. Os fenômenos naturais que temos vivenciado são uma pequena amostra do que podemos esperar do clima no futuro se os países não reduzirem as emissões de gases de efeito estufa. O que estamos vivenciando hoje é reflexo do acumulo de CO2 na atmosfera, que mesmo sem nenhum aquecimento extra, reflete no século mais quente dos últimos 120 mil anos.
Com o cenário acima, não sendo mais, uma hipótese dos cientistas e ambientalista, mas a cada dia que se passa mais uma constatação de fatos irrefutáveis, só está cada vez mais claro que algo precisa ser feito e já não estamos falando de planos, mas de contenção imediata. Pensar por exemplo em “descarbonização” é uma emergência, mas colocar todas as “fichas” em uma frota global de carros elétricos, pode ser lento demais, pois ainda há obstáculos, a serem vencidos, como por exemplo a produção de energia limpa. Atualmente a produção de energia na Europa, já vem sofrendo para atender a demanda instalada devido a guerra no leste do continente, que por sinal, não dá indícios de um sessar fogo.
Assim, pensar uma transição de modelos econômicos, do linear para o circular, apresenta-se cada vez mais promissor frente o cenário atual.
A economia Circular, objetiva circular mais os recursos, ou seja, reduzir a produção e maximizar a utilização. Por exemplo, precisamos de um furo ou da furadeira? Essa frase proferia inicialmente por Rachel Botsman, diz muita coisa sobre nossa sociedade atual, pautada em economia linear, pois se aplicarmos esse conceito em tudo que está em nossa volta, perceberemos que poderíamos viver em uma sociedade baseada em serviço e não em produção, ou seja, circular.
A economia circular, além de ser um modelo, que pode gerar impacto imediato no aquecimento global, ajustar indicadores como o dia de sobrecarga da terra, possui grande impacto na geração de renda, redução de disparidade social, inclusão entre muitos outros Benefícios.
Convido-o a conhecer mais sobre economia circular, pois, se o mundo foi impacto pela 4 revolução industrial, certamente o próximo impacto, será a transição para a circularidade.
Por: Marcelo Souza – CEO Indústria Fox
A emergência climática deu lugar a uma emergência humanitária.
Marcelo Souza, também é professor da PUC e autor do livro Economia Circular – O Mundo Rumo à Quinta Revolução Industrial.
Por: Marcelo Souza – CEO Indústria Fox, escritor e professor.
Linkedin Marcelo Souza: https://www.linkedin.com/mwlite/profile/in/-marcelo-souza- originalSubdomain=br
Mais sobre a Indústria Fox
Fundada em 2009, a Indústria Fox – Acredita em um Mundo Sustentável com o uso de novas Tecnologias – atua em reciclagem industrial com destaque para captação e tratamento de gases CFCs no Brasil, foi a primeira fábrica de produção reversa de refrigeradores na América do Sul e se tornou referência em gestão e solução de armazenagem, tratamento de gases CFCs, manutenção, reforma e reparo de equipamentos. A empresa se posiciona com programas próprios de economia circular, eficiência energética, além de processos de remanufatura e análises técnicas qualitativas de produtos e componentes. Com isso, é a única no Brasil a unir os três pilares de reciclagem, remanufatura e eficiência energética. Tudo isso alinhado com novas tecnologias e desenvolvimento de economia circular e indústria 4.0.
Serviço:
https://www.industriafox.com.br/