Estudos mostram que a planta andina pode reduzir ansiedade e depressão em mulheres pós-menopausa sem alterar níveis hormonais

Aproximadamente 30 milhões de mulheres no Brasil vivem na faixa etária do climatério e menopausa, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Deste total, 82% sofrem com sintomas que impactam diretamente sua qualidade de vida, conforme revista científica Climacteric.
Para mulheres com contraindicações à terapia hormonal, estudos sugerem a maca peruana aparece como possibilidade terapêutica. A Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, veta a terapia hormonal sistêmica para pacientes com histórico de infarto, AVC ou doença cardiovascular, indicando terapias não hormonais para alívio vasomotor.
A planta se diferencia por não ter elementos hormonais na composição química. Diferentes estudos demonstraram que a maca peruana não altera os níveis séricos de estradiol, hormônio folículo-estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH) ou globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), conforme revisão publicada na Revista Peruana de Medicina Experimental e Saúde Pública, conduzida pela Universidad Peruana Cayetano Heredia.
Além de não interferir nos níveis hormonais, pesquisas clínicas demonstraram que a Lepidium meyenii, nome científico da maca peruana, pode atuar sobre sintomas psicológicos frequentes no climatério, como ansiedade e depressão, em mulheres pós-menopausa. Para a comunidade científica, ensaios clínicos mais extensos são necessários para definir a dosagem ideal e os mecanismos de ação, para, então, confirmar o potencial medicinal da planta.
Pesquisas registram melhora em sintomas psicológicos
Um ensaio clínico com 29 mulheres chinesas pós-menopausa, também publicado na revista Climacteric, registrou quedas nos índices de ansiedade e depressão pela Escala Climatérica de Greene após o consumo diário de 3,5 gramas de maca em pó por seis semanas.
Na mesma publicação, outra pesquisa confirmou a redução de sintomas psicológicos e disfunção sexual. O estudo registrou, ainda, reduções na pressão arterial sistólica e diastólica das pacientes após seis semanas de intervenção. Ambas as pesquisas foram conduzidas por pesquisadores da Victoria University, na Austrália.
Já uma revisão sistemática coordenada por cientistas da Korea Institute of Oriental Medicine concluiu que a maca peruana gera efeitos positivos sobre os sintomas da pós-menopausa. O destaque da análise recai sobre os resultados da planta na diminuição dos sintomas psicológicos, como ansiedade e depressão.
Teorias apontam para equilíbrio hormonal e ação antidepressiva
Uma das teorias apontadas nos estudos científicos propõe que a maca peruana para mulheres no climatério atue na fortificação da homeostase hormonal, estimulando a capacidade do organismo de resistir a estressores e recuperar seu equilíbrio.
Outra linha de investigação foca nos flavonoides da maca. Os estudos australianos sugerem que esses compostos podem inibir a monoamina oxidase, enzima ligada ao metabolismo de neurotransmissores, mimetizando a ação de medicamentos antidepressivos.
As revisões sistemáticas científicas apontam limitações nos estudos disponíveis. Segundo os pesquisadores, o número de ensaios randomizados ainda é restrito, com amostras pequenas. A comunidade científica recomenda que a maca peruana seja testada em estudos mais extensos e com maior rigor metodológico.
Quanto à segurança, os estudos atestam que o consumo a curto e longo prazo da maca peruana não apresentou toxicidade in vivo ou in vitro. Não foram detectadas alterações histopatológicas em órgãos vitais como fígado, pâncreas, baço, testículos ou ovários nos modelos animais estudados.
Variedades da planta apresentam propriedades distintas
Há diferenças nos efeitos das variedades de maca peruana, conforme a coloração do hipocótilo. A maca negra apresenta melhores resultados sobre espermatogênese, memória e fadiga. Já a maca vermelha demonstra maior eficiência contra hiperplasia benigna de próstata e osteoporose induzida experimentalmente.
Estudos experimentais mostram que a maca vermelha e a negra também apresentam efeito protetor contra a osteoporose similar ao estradiol. Diferente do hormônio, porém, nenhuma das variedades aumentou o peso uterino em modelos animais, o que sugere uma ação específica e seletiva da planta.
87,9% das brasileiras sofrem na transição menopáusica
Dados de estudo brasileiro citado na Diretriz de Cardiologia revelam que a prevalência de sintomas vasomotores, como ondas de calor e sudorese noturna, moderados a graves no Brasil é de 36,2%. Esse percentual supera o registrado no Canadá, no México e em países nórdicos pesquisados no mesmo levantamento.
Outro levantamento com 1.500 brasileiras entre 45 e 65 anos, mencionado na mesma Diretriz, detectou sintomas em 87,9% das mulheres na transição menopáusica. Os dados apontam ainda que os sintomas vasomotores tendem a surgir precocemente neste grupo. Entre mulheres latino-americanas, segundo dados compilados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, 55% apresentam sintomas vasomotores.
