O Janeiro Branco chega a 2026 com uma mensagem que ressoa de forma cada vez mais necessária no mundo corporativo: paz, equilíbrio e saúde mental não são conceitos abstratos, mas pilares fundamentais para a sustentabilidade das organizações e para a construção de um futuro do trabalho mais humano.
Como psicóloga atuante no ambiente corporativo, acompanhando empresas, lideranças e profissionais ao longo de suas jornadas, tenho a convicção de que o maior patrimônio de qualquer organização é o ser humano. Máquinas, processos e tecnologias são importantes, mas são as pessoas que criam, inovam, tomam decisões e sustentam resultados ao longo do tempo.
Por isso, fico genuinamente feliz ao ver empresas que já compreenderam a importância de cultivar uma cultura de saúde mental, indo além de discursos e adotando práticas concretas de cuidado emocional, prevenção e desenvolvimento humano. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer: ainda temos muito a fazer.
SAÚDE MENTAL: COMPROMISSO LEGAL, ÉTICO E CULTURAL
Os avanços legais no Brasil reforçam essa urgência. A Lei Federal nº 14.831/2024, ao estabelecer diretrizes para a promoção da saúde mental no trabalho, criando o Certificado “Empresa Promotora da Saúde Mental”, uma iniciativa do Governo Federal destinada a reconhecer empresas que implementem práticas efetivas de promoção da saúde mental e bem-estar dos colaboradores e a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passa a reconhecer oficialmente os chamados riscos psicossociais
Cumprir a legislação é apenas o primeiro passo. O verdadeiro impacto acontece quando as organizações compreendem que promover saúde mental é investir em longevidade profissional, engajamento e desempenho sustentável.
BURNOUT E AFASTAMENTOS: UM ALERTA NECESSÁRIO
Dados do Ministério do Trabalho e Previdência indicam crescimento significativo dos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais nos últimos anos. A síndrome de burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional, tornou-se um símbolo de um modelo de trabalho que precisa ser urgentemente revisto.
Esses números não refletem fragilidade individual, mas sistemas adoecidos. Ambientes que exigem alta performance sem oferecer suporte emocional consistente acabam pagando um alto custo humano e organizacional.
EMPRESAS COMO AGENTES DE PAZ E EQUILÍBRIO
Promover paz no ambiente corporativo não significa ausência de desafios, mas sim a construção de espaços emocionalmente seguros, com diálogo, respeito, pertencimento e propósito.
Na prática, isso se traduz em ações como palestras sobre saúde mental e longevidade, rodas de conversa que fortalecem vínculos, treinamentos para lideranças mais conscientes e programas contínuos de prevenção ao adoecimento emocional. Tenho vivenciado, junto a empresas de diferentes segmentos, o impacto positivo dessas iniciativas na cultura organizacional e na vida dos profissionais.
DICA PRÁTICA PARA AS EMPRESAS
Uma ação simples e altamente eficaz é incluir a saúde mental na rotina estratégica da empresa. Reserve, ao menos uma vez por trimestre, um espaço estruturado para escuta e educação emocional — seja por meio de uma palestra, roda de conversa ou treinamento. A prevenção começa quando o tema deixa de ser tabu e passa a fazer parte da cultura. Claro que quanto mais acções melhor, porém o importante é iniciar essas ações.
SAÚDE MENTAL TAMBÉM É PLANEJAMENTO DE FUTURO
Cuidar da saúde mental no trabalho é também falar de futuro. Muitos profissionais adoecem não apenas pela sobrecarga, mas pela ausência de sentido e planejamento de vida. Essa reflexão é aprofundada em meu livro “Aposentadoria Consciente e Saudável: destravando ações eficientes para um planejamento eficaz”, no qual defendo que trabalhar com consciência hoje é essencial para envelhecer com saúde, dignidade e qualidade de vida amanhã.
UM CONVITE À CONSCIÊNCIA COLETIVA
O Janeiro Branco 2026 nos convida a ir além das campanhas simbólicas e a construir programas consistentes de saúde mental. Que mais empresas possam aderir a esse movimento, entendendo que cuidar das pessoas é cuidar do próprio negócio.
MINI BIO
Rosemary Andriani (CRP 06/58150) é psicóloga, especialista em saúde mental no ambiente corporativo e em longevidade. Mobilizadora oficial do IDHJB – Instituto de Desenvolvimento Humano Janeiro Branco. CEO do Instituto Andriani de Psicologia. Atua diretamente com empresas por meio de palestras, treinamentos e programas voltados à promoção da saúde emocional, prevenção do burnout e desenvolvimento de culturas organizacionais mais humanas e sustentáveis. É autora do livro “Aposentadoria Consciente e Saudável: destravando ações eficientes para um planejamento eficaz”.
