Por que tanta gente já se sente esgotada no início do ano
Fevereiro mal começou e, para muitas pessoas, o ano já parece pesado demais. A sensação de exaustão surge cedo, mesmo após férias ou períodos de descanso, e vai além do cansaço físico. Trata-se de uma fadiga emocional silenciosa, difícil de explicar, mas cada vez mais comum na rotina de quem sente que o ano começou exigindo muito e oferecendo pouco espaço para respirar.
De acordo com o psicólogo clínico Luti Christóforo, esse esgotamento tem relação direta com o choque entre expectativa e realidade. “Janeiro costuma ser marcado por planos, promessas e metas. Fevereiro confronta essas idealizações com a volta intensa das rotinas, das cobranças e da pressão por desempenho, o que gera frustração e desgaste emocional”, explica.
A fadiga emocional surge quando a mente é submetida a demandas constantes, excesso de estímulos e pouco tempo de recuperação psíquica. O corpo segue funcionando, mas, emocionalmente, a pessoa se sente drenada, impaciente, desmotivada ou irritada sem um motivo claro. “É um cansaço que não melhora apenas com dormir mais”, pontua o especialista.
Outro fator importante é a falsa sensação de descanso. Nem sempre férias significam recuperação emocional. Conflitos familiares, pendências acumuladas, excesso de compromissos, consumo de álcool e hiperconexão digital impedem que a mente realmente desacelere. O retorno à rotina acontece sem que haja reposição emocional suficiente.
O calor intenso típico do período também influencia. Ele aumenta o desgaste físico, reduz a tolerância emocional e faz com que tarefas simples pareçam mais difíceis. Pequenos conflitos ganham grandes proporções, e a irritabilidade se torna mais frequente.
Além disso, existe uma pressão silenciosa para estar bem. A ideia de que “o ano está só começando” faz com que muitas pessoas se culpem por já se sentirem cansadas. Esse autojulgamento agrava o quadro, somando culpa e sensação de inadequação ao próprio cansaço.
Segundo Christóforo, a fadiga emocional não surge do nada. É resultado do acúmulo de tensões, expectativas irreais, dificuldade de estabelecer limites e ausência de pausas genuínas. Quando ignorada, pode evoluir para quadros mais graves, como ansiedade persistente, episódios depressivos ou burnout.
Reconhecer esse esgotamento é o primeiro passo para lidar com ele. “Não é sinal de fraqueza, preguiça ou falta de gratidão. É um alerta do organismo de que algo precisa ser reorganizado”, afirma o psicólogo.
A psicoterapia, nesse contexto, pode ajudar a identificar as fontes do cansaço, rever prioridades e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com a rotina e com as próprias emoções. Fevereiro não precisa ser um mês de sobrevivência. Pode ser um ponto de ajuste, de reconexão consigo mesmo e de construção de um ano mais equilibrado, possível e humano.
Serviço: Luti Christóforo
Psicólogo clínico
(41) 99809-8887
@luti.psicologo
