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Balanço: Turismo cultural conquista espaço em 2025

Foto: Freepik

O Brasil recebeu 6,77 milhões de turistas estrangeiros em 2024, segundo o Ministério do Turismo. Para 2025, a expectativa é que o total seja ainda maior. O otimismo coincide com uma mudança no perfil do viajante que tem priorizado roteiros centrados em história, patrimônio e vivências locais.

As buscas globais por “experiências culturais autênticas” subiram 37% em 2025, de acordo com a Organização Mundial do Turismo. A Revista Tendências do Turismo, do Ministério do Turismo e Embratur, mapeou 19 macrotendências a partir de 32 estudos internacionais. Entre os movimentos mais expressivos está a imersão cultural, que se estabeleceu como escolha consistente.

O setor nacional projeta 2026 como o ano da “virada”, uma resposta ao esgotamento dos roteiros de massa, levando turistas a priorizarem a imersão na cultura local em regiões fora do eixo convencional, além de destinos inexplorados e vivências genuinamente locais.

‘Efeito manada digital’: IA facilita roteiros, mas pode levar a destinos saturados

A fundadora do blog especializado Viaja que Passa, Maria Fernanda Moro, observa o esgotamento de rotas mais visadas. “Em 2025, muitos viajantes finalmente perceberam que repetir os mesmos roteiros superlotados, enfrentar filas intermináveis e disputar espaço para tirar uma foto virou sinônimo de frustração, não de experiência.” 

Segundo ela, definir o melhor lugar para se hospedar em Barcelona ou em outras capitais culturais passou a depender da proximidade com circuitos autênticos, não apenas de pontos turísticos. “Ferramentas de IA podem sugerir roteiros em segundos, mas muitas vezes baseados nos mesmos dados, nas mesmas avaliações e nos mesmos lugares hiperpopulares. Se o viajante não estiver atento, cai facilmente numa espécie de ‘efeito manada digital’”, alerta. 

Para ela, a experiência depende de leitura prévia sobre o destino, conversas com moradores, acompanhamento de guias especializados e circulação fora dos grandes marcos turísticos.

Brasileiros preferem sol e praia

Apenas 5% dos brasileiros priorizam turismo cultural ou histórico em pesquisas de preferência, contra 38% que elegem sol e praia como primeira opção. Os dados foram divulgados pela Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), com base em levantamento do Ministério do Turismo.

Já os turistas europeus demonstram outro interesse: 44,4% buscam experiências culturais, segundo a Embratur. A informação foi apresentada durante a FITUR 2025, maior feira de turismo da Espanha, realizada em Madri.

A presidente da OCBPM alerta para a necessidade de ampliar a divulgação dos atrativos culturais e patrimoniais brasileiros. O país possui 24 sítios reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) – 15 culturais, oito naturais e um misto. 

Os dados foram atualizados pelo Ministério das Relações Exteriores, quando o Cânion do Peruaçu foi inscrito na lista. Entre os destinos brasileiros, o mais recente a receber o título é o dos Lençóis Maranhenses.

Turismo deve movimentar US$ 167,6 bilhões e gerar 8,2 milhões de empregos no país

O turismo deve contribuir com US$ 167,6 bilhões ao PIB brasileiro em 2025, equivalente a 7,7% da economia nacional. A projeção é do World Travel & Tourism Council (WTTC), divulgada em maio deste ano. A entidade estima que o setor gere 8,2 milhões de empregos no país, 8% do número total.

Os dados brasileiros acompanham a recuperação global. A Organização Mundial do Turismo estima que o turismo internacional recuperou níveis pré-pandemia em 2024, com crescimento de 2% acima de 2019. O setor de viagens global deve atingir US$ 11,1 trilhões em contribuição econômica em 2024, segundo o WTTC.

Moro avalia que a consolidação depende de viajantes dispostos a ir além do óbvio. “Fazer turismo cultural é enxergar o destino com curiosidade, paciência e sem correria. É entender que cada bairro tem histórias próprias e que cada viagem pode ser profundamente única, desde que você esteja disposto a ir além do óbvio.”

Amsterdam serve de modelo com 45 museus e calendário cultural permanente

Visada pelos turistas culturais, Amsterdam mantém 45 museus, incluindo o Van Gogh, que abriga a maior coleção do pintor; o Rijksmuseum; o Stedelijk; e o histórico Rembrandt. Este último ocupa o edifício onde o artista viveu entre 1639 e 1659. Para aproveitar a programação cultural, viajantes consideram hotéis em Amsterdam próximos aos distritos museológicos ou à zona portuária.

O local mais visitado da cidade é a Casa de Anne Frank, que preserva a memória da jovem judia que se escondeu dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e escreveu o diário que gerou o livro que é, até hoje, um dos mais vendidos mundialmente.

A cidade mantém circuitos pela zona portuária, pelo bairro Jordaan, reduto de artistas e intelectuais, e pelo Mercado das Flores, instalado sobre o canal Singel. O distrito Nine Streets reúne lojas históricas, estúdios de design e restaurantes em conjunto arquitetônico preservado. A capital holandesa mantém um calendário extenso de festivais temáticos, concertos e programação teatral. A Orquestra Sinfônica local figura entre as mais respeitadas da Europa.

Barcelona preserva legado de Gaudí, Picasso e Miró em circuito de museus e arquitetura

Barcelona foi berço ou acolheu artistas do porte do arquiteto Antoni Gaudí, da soprano Montserrat Caballé e dos pintores Salvador Dalí, Joan Miró e Pablo Picasso. A capital da Catalunha, região mais rica da Espanha, mantém esse legado artístico até hoje.

Obras arquitetônicas do modernista Gaudí viraram centros culturais na cidade. A Casa Millà (ou La Pedrera) e a Casa Batlló remetem à influência do estilo art-nouveau, com ausência de ângulos retos, mimetismo de formas da natureza e desenhos em cores variadas. As obras ficam no Passeig de Gràcia, avenida construída em meados do século 19.

O Museu Picasso, no bairro El Born, reúne obras do período em que o pintor viveu na cidade durante sua formação artística. No mesmo bairro funciona o Moco (Modern Contemporary), com obras de Andy Warhol, Keith Haring, Banksy e Jean-Michel Basquiat em prédio renascentista. O Macba (Museu d’Art Contemporani de Barcelona) ocupa um dos edifícios do arquiteto Richard Meier com obras de artistas das últimas décadas.

Tiago Silva Candido

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