Ano eleitoral amplia força do marketing digital e exige estratégia, ética e atenção à lei

Ano eleitoral amplia força do marketing digital e exige estratégia, ética e atenção à lei

A empresária Vitória Normandia, da Click Conexão, diz que o marketing digital vai ganhar mais força neste ano e cita a pesquisa que aponta que as redes sociais já superaram a TV como principal fonte de informação política no Brasil.

O marketing digital deixou de ser coadjuvante e passou a ocupar o centro das estratégias políticas em ano eleitoral. Em 2026, as redes sociais já superaram a televisão como principal fonte de informação política no Brasil, segundo pesquisa da Quaest divulgada em janeiro. O levantamento mostra que 39% dos brasileiros se informam pelas redes sociais, contra 34% pela TV, um marco histórico que muda a forma como pré-candidatos e candidatos se comunicam com o eleitorado.

O movimento não é novo, mas ganha ainda mais força neste ano. Dados do DataSenado indicam que 45% dos eleitores já decidiram o voto com base em informações vistas nas redes sociais. O WhatsApp aparece como a principal fonte de informação para 79% da população, seguido por plataformas como YouTube, Facebook e Instagram, que influenciam diretamente a escolha de candidatos, especialmente entre os mais jovens.

Para a especialista em assessoria digital Vitória Normandia, da Click Conexão, a pré-campanha é o momento decisivo para construir uma presença sólida e coerente. “O papel do marketing digital na pré-campanha é entender para quem vamos falar, definir posicionamento, alinhar discurso e criar uma comunidade desde o início. Quanto mais alinhada for a comunicação, mais certeiras serão as ações durante a campanha”, explica.

O que muda em 2026 nas campanhas digitais

Neste ano eleitoral, algumas tendências se consolidam. O uso estratégico do WhatsApp para comunicação segmentada, o crescimento dos vídeos curtos de 30 a 60 segundos no Instagram, TikTok e YouTube e a aposta em lives, stories e

conteúdos mais humanizados dominam o cenário. O eleitor busca proximidade, clareza e identificação.

Segundo Vitória, campanhas que geram mais engajamento são aquelas que mostram o candidato como alguém que entende a dor do cidadão e apresenta soluções práticas. “Vídeos que humanizam o candidato, que mostram disposição para ouvir e resolver problemas reais, têm muito mais impacto do que promessas genéricas”, afirma.

IA entra nas eleições como aliada e risco

Outra novidade de 2026 é o uso cada vez maior da Inteligência Artificial nas campanhas. A tecnologia já é utilizada para monitoramento de redes, análise de tendências, organização de dados e até interação com eleitores por meio de chatbots.

O avanço, no entanto, exige cuidado. O uso indevido da IA para criação de fake newsdeepfakes e áudios falsos representa um risco à credibilidade das campanhas e ao próprio processo democrático. Desde 2024, o Tribunal Superior Eleitoral exige a identificação de conteúdos gerados por IA e proíbe o uso de robôs que simulem diálogos reais com eleitores.

“A IA vem para somar, não para substituir o fator humano. Quem tenta fazer tudo com IA corre o risco de afastar o público em vez de se aproximar”, alerta a especialista. 

Legislação eleitoral exige atenção redobrada

Além da estratégia, o cumprimento da legislação eleitoral é decisivo. Na pré-campanha, é permitido divulgar ideias, trajetória e posicionamento, mas sem pedido explícito ou implícito de votos. O impulsionamento pago pode ocorrer, desde que contratado diretamente pelo pré-candidato ou partido e sem apelo eleitoral.

A propaganda oficial começa em 16 de agosto, quando os perfis devem ser informados à Justiça Eleitoral. A partir daí, regras mais rígidas entram em vigor, incluindo limites para impulsionamento, proibição de fake news, uso indevido de IA e períodos de silêncio eleitoral.

Dicas práticas para pré-candidatos e candidatos

Entre as principais orientações para quem pretende usar o marketing digital de forma estratégica e segura estão:

  • Planejar a comunicação com antecedência e foco no público certo
  • Apostar em conteúdo humanizado e educativo
  • Usar dados e tecnologia como apoio, não como substituto da comunicação real
  • Contar com assessoria especializada para evitar erros jurídicos e de imagem

“Não adianta seguir modismos ou postar qualquer coisa. O marketing político precisa ser personalizado, verdadeiro e responsável”, reforça Vitória Normandia.

Com o eleitor cada vez mais conectado, o marketing digital se consolida como um dos principais campos de disputa nas eleições de 2026, exigindo preparo, estratégia e responsabilidade de quem deseja conquistar espaço e credibilidade junto à população.

Aldair dos Santos

Formado em Comunicação Empresarial pela Faculdade Pitágoras e Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo (UNITRI), em Uberlândia, o jornalista Aldair dos Santos atua há mais de 20 anos na área de Comunicação e Mídias Digitais.

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