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Adolescente suspeito em caso de estupro coletivo no Rio se entrega

Adolescente suspeito em caso de estupro coletivo no Rio se entrega

O adolescente de 17 anos acusado pelo estupro coletivo de uma menina em Copacabana se entregou hoje no Rio de Janeiro. O adolescente se entregou na 54ª DP (Belford Roxo) no início da tarde de hoje. Ele era o único foragido de todos os apontados pela polícia no crime e agora está apreendido. Ele responderá por ato infracional análogo a estupro. Por ser adolescente, ele teve a identidade preservada. O caso corre em segredo de Justiça. Por isso, não foi possível localizar a defesa do suspeito. O espaço fica aberto a manifestações.

Para a Polícia Civil, o adolescente foi o mentor do crime, convencendo a jovem a ir até o local do estupro. Além dele, outros quatro adultos teriam participado do ato em 31 de janeiro deste ano. A internação do jovem foi decretada pela Vara de Infância e Juventude da Capital ontem. A captura foi decidida após o MP-RJ mudar de posicionamento e pedir a apreensão dele. Antes, o órgão entendia que não havia necessidade.

Outros quatro envolvidos foram indiciados e denunciados pelo estupro coletivo da garota. Estão presos: Vitor Hugo Simonin, 18, Bruno Allegretti, 18, João Gabriel Bertho, 19, e Matheus Veríssimo, 19. Todas as prisões foram decretadas no sábado passado e eles estão apreendidos na Cadeia Pública de Benfica.

Nenhum dos réus apresentou o celular à polícia no momento da prisão, informou o delegado do caso. A corporação vai pedir a quebra de sigilo telefônico à Justiça do Rio de Janeiro, onde o caso segue em segredo de justiça. A investigação tentou obter acesso aos celulares no último sábado (28), quando foi deflagrada operação para prender os até então foragidos. A polícia foi a todos os endereços ligados aos homens, mas não encontrou os aparelhos.

Além da prisão dos réus, a polícia também havia solicitado busca e apreensão. Até o momento, não se tem decisão da Justiça para a medida. Impasse no plantão do judiciário carioca pode ter prejudicado a colheita de provas, segundo o delegado que toca a investigação.

Ângelo Lage disse que inicialmente o plantão entendeu que o caso não era urgente, cerca de uma semana após a ocorrência. Entre idas e vindas, relatou Lage, o caso saiu da vara responsável por avaliar casos de violência doméstica e foi transferido para a que trata de crianças e adolescentes — e que isso pode explicar a demora para conceder os mandados de prisão e as apreensões dos aparelhos celulares dos envolvidos.

O delegado acredita que, se na primeira semana tivessem conseguido urgência do caso por meio do judiciário, a polícia teria um “efeito surpresa”. Para a reportagem, ele explicou que, após repercussão de um caso, os envolvidos podem acabar fugindo e atuando para sumir com possíveis provas caso demore a decisão.

A defesa de João Gabriel nega que tenha havido estupro. Advogados do réu disseram que “confiam que a Justiça, de forma isenta, irá apurar os fatos e decidirá pela improcedência da denúncia. João Gabriel nega estupro e não teve sequer a oportunidade de ser ouvido pela polícia”.

O advogado de Vitor Hugo nega que participou do crime. Ele disse que o réu, que é filho de um ex-subsecretário do governo do RJ, confirmou que estava no apartamento, mas que não tem envolvimento no estupro. “‘Não participei de nada’, foi o que ele me disse”, explicou o advogado Ângelo Máximo à imprensa na saída da delegacia.

Vitor Hugo e Matheus foram apontados como agressores em outros casos. Jovem se apresentou à polícia depois da repercussão do caso e do pedido de prisão dos envolvidos e disse que foi violentada por Vitor Hugo e outros homens que não conseguiu identificar. Outra adolescente relatou ter sido vítima de Matheus Veríssimo Zoel Martins. O contato com as defesas dos outros réus continua sendo buscado.

Uma adolescente de 17 anos procurou a polícia com sua mãe, relatando ter sido violentada por cinco pessoas. O crime aconteceu no dia 31 de janeiro em um apartamento em Copacabana. A jovem relatou que foi convidada por um adolescente com quem teria tido uma relação para se encontrarem. Ela foi ao encontro do adolescente, entrou no quarto do apartamento e passou a manter relações com ele. Ela relatou que, durante o ato, outras quatro pessoas entraram no quarto.

No momento, um adolescente disse aos outros envolvidos que tinha “desenrolado” para que eles participassem. Contudo, a jovem negou fazer sexo com eles. A menina disse à polícia que tentou sair da situação, mas que não conseguiu. Os homens a agrediram com puxões de cabelo e com golpes na região abdominal enquanto se revezavam nas agressões.

Momentos depois, já sangrando após as agressões, a vítima foi embora. Ela chegou a ser questionada se sua mãe a via sem roupas e disseram para não mostrar os hematomas e o sangramento. Horas após o ato, o adolescente enviou uma mensagem para a adolescente: “chegou bem kkkk”.

Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.

Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Existem sites especializados que auxiliam as vítimas a encontrar unidades que realizam o aborto legal.

Clayton Lima

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